Capítulo 3
O Grande Salão
Dentro do grande hotel, o salão de festas ocupava um lugar de destaque entre os ambientes sociais — ao lado do salão de chá, do salão de baile e das varandas de convivência.
Um salão entre outros salões
O grande hotel de Serra Negra organizava sua vida social em uma sequência de ambientes com funções específicas: o salão de chá, reservado às tardes mais tranquilas; o salão de baile, dedicado à dança; e o salão de festas — ou salão de entretenimento —, onde se reuniam música ao vivo, jogos de salão e encontros noturnos dos hóspedes.
Colunas brancas, piso de taco encerado e um forro trabalhado em gesso compunham o ambiente, iluminado por lustres e por grandes janelas que, durante o dia, enquadravam o jardim externo. A disposição das mesas ao redor de uma pista central permitia tanto a dança quanto a conversa em pequenos grupos.
O ritmo das noites
As noites no grande salão seguiam um roteiro conhecido pelos hóspedes mais assíduos: um pequeno concerto ou apresentação musical abria a noite, seguido de tempo livre para jogos de salão e, depois, do baile propriamente dito. Orquestras locais e, em ocasiões especiais, conjuntos vindos de São Paulo animavam o ambiente.
Esse uso do salão como espaço de entretenimento noturno, comum a grandes hotéis de estação em todo o país, foi interrompido pelo decreto de 1946, que redefiniu de forma definitiva a função desses ambientes nos hotéis brasileiros — tema explorado no capítulo sobre a legislação de 1946.